Os dias são outonos: choram...choram... Há crisântemos roxos que descoram... Há murmúrios dolentes de segredos... Invoco o nosso sonho! Estendo os braços! E ele é, o meu amor, pelos espaços, Fumo leve que foge entre os meus dedos!

-Florbela Espanca-

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Para um idiota...



A promessa se cumpre, a luz engole a sombra, as correntes da alma desabrocham. Infeliz jogador, sem sorte no jogo, muito menos no amor. Não é questão de sorte nunca! Não reparou? É um insistir pela importância que o outro tem, seus amigos pareciam tão importantes pra você!? Evito que este teu alguma coisa que é meu amigo, lhe corte a língua, lhe faça sofrer até a morte, lavo de dentro de mim qualquer tipo de importância que algum dia te dei. Sois razão nenhuma de ser. Tenho total repúdio a qualquer tempo que tenha perdido em sua função, e se não desviei meu caminho só porque você estava na frente, saiba hoje, é porque tenho total espontaneidade sobre quem sou, o que fiz, que coisas aprendi... É porque esta é a minha cidade, não a sua. Ninguém vai pixar seu muro, nenhum clorofluorcarbono na atmosfera deve o valer. Eu não posso te dar um pontapé pra fora do mundo... Ah se pudesse!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Das paixões

As minhas paixões
são contidas,
esmigalhadas,
os pássaros vêm,
comem-nas,
cagam-nas
cabeças de turistas
depois morrem,
intoxicados
em alto-mar...


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Vivificação



Todos em seus whatsapps...
Onde estão aqueles ouvindo what's up?
Que copulariam no telhado,
Que me prenderiam ao cinturão de Órion...
Onde se escondem malditos?
Vocês mountain bikers,
Sem mulheres em seus canos,
Do que andam fugindo?

Todos vocês, homens ambiciosos,
Que me deixavam pra depois,
Ocupados demais com seus egos,
Mas que ironia, serão mais conhecidos por mim?
E só sei pra que lado seus paus eram tortos...
Quão grandes eram seus medos,
Como costumavam se drogar
Pra não ter que encarar a realidade,
Pra não ter que correr risco algum.

Sopro no coração



Corro contra o tempo
me reinvento
não vai dar tempo!
não é tudo!
mas sem sou nada?

Cigarra da noite
de minha insônia
novelo de feno
de minha solidão
que não passa...

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O pouso do pelo



Um pelo ruivo
Pousa em minha roupa preta,
Eu o admiro por instantes,
Esta estrutura ainda parece viva,
Começo meio e fim, brilhante.
Nasceu e morreu me amando,
Talvez, devesse o guardar em um cofre,
E se tudo um dia terminasse,
Teria algo incorruptível para confirmar,
Com o seu DNA, ele me diria:
Nasci e morri amando você.
Mas a barba continua a crescer,
A ser raspada, a ir pelo ralo,
A célula morta esfoliada...
E eu não sei se os próximos me amarão...

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Das vaidades



eu ainda me comovo
com as mulheres
mordiscando suas pérolas
pra saber da veracidade
réu, confesso...
não há nada mais chic!

 

O homem é o trickster do homem

Não existe um certo, não existe um errado, existe algum conceito de paz e algum conceito de desordem. Existe um patão chato pagando pouco e um legal pagando pouco. Existe um comportamento "progressivo" razoável, entediante, e outro que levariam todos que assim fossem ao autoextermínio. Tudo que se propor a ser, pense antes: e se o mundo todo fosse assim? Porque não é justo ser privilégio apenas de alguns... Este mundo sem consequências, nunca existiu, nunca existirá, são umas leis físicas/biológicas tão ligadas a cada menor parte, de toda parte, de toda vida. Existe alguém que vai rir no minuto de silêncio pro seu amigo morto, e alguém que vai se calar e respeitar a sua dor, mesmo não sabendo quem é o cara. Existe o trem que parte o homem bêbado adormecido no trilho e o que parte os corações dos amantes que se separam. Existe a dor compreendida e a dor julgada. Existe o homem que paga por uma academia e o que prefere fazer poesia, a máquina que parte a perna do homem e Lowry que a parte no pincel. Existe o rapto do macaco pro circo, e a "evolução", desnecessária. Eu não rapto sua essência, eu não serei o beijo no seu caixão.